9 de out de 2012

Te amamos muito Gabriel Labanca

Depois de muito chorar e ficar em bad pesada, agora consigo pensar e colocar em ordem alguns sentimentos para prestar justa homenagem e falar do nosso amor pelo Gabriel Labanca, um dos nossos amigos e heróis da Quase, que nos deixou esse fim de semana.

Antes de tudo, a Mongoteca é fruto direto da experiência, influência e apoio destes nossos amigos capixabas. Devemos - particularmente eu devo - muito do que fizemos ao pessoal da Quase.

A coragem de dar a cara a tapa, de falar merda em público, de fazer viagens exdruxúlas, de conhecer pessoas da pior espécie, de envergonhar a família e botar seus empregos em risco, em troca de publicarem uma das mais sensacionais revistas de humor que passaram em minha vida, que desperta paixão em até mesmo que a odeia, é a sensação mais intensa que sinto sempre quando releio minha coleção de Quase – principalmente agora, que as retirei do armário pra ficar chorando em meios aos risos.

Ao longo dos quase 10 anos de convivência, Porco e eu nos ligamos afetivamente com todos da Quase. Fizemos shows, viajamos, hospedamos, comemos moqueca, bebemos, fumamos, participamos de vídeo, viramos noites, ouvimos rock, rolamos de rir até doer a barriga com eles. E ao longo desses anos Labanca sempre me intrigou, pois não entendia como aquele menino bonito, engraçado, inteligente e sensível como ele podia ser depositário de tanta sacanagem nessa vida.

Eu via o talento do Juliano para desenhar e amarrar piadinhas, a acidez extrema do Furlan, as bizarrices do Keka e disposição pra coisa errada do Raul, e para mim ficava bem claro a coerência entre eles e suas piadas. Agora com Labanca era diferente, eu não reconhecia nele essa piadisse toda (mesmo sendo engraçado todo o tempo), nossos papos eram sérios, ele sempre falava de pesquisa acadêmica e política. Comentava a dificuldade de dar aula, o esforço para morar no Rio, a música sofisticada que ouvia(eu o ouvia falar de samba), e eu olhava pra ele e ficava pensando: - Onde estava o Rodrigson, ou o pai do sonhador Miltinho e do intratável Valdo?

Assim foi ao longo dos anos, e durante 2010, quando ele passou parte do ano tendo minha casa como pouso durante parte dos seus estudos na UFMG, pude entender melhor esse humor dele, pois no meio daqueles papos sérios, de repente Labanca falava aquela merda que me deixava até corado antes de começar a rachar de rir.

Ahá! Esse é o Labanca.

Cara de talento indiscutivel, ótimo no vídeo, com grande repertório de personagens em seus sketchs, pensamento rápido, olho levemente estrábico, maravilhosos hábito de desenhar com pincel, jeito estranho de segurar a caneta, entrega aos estudos, organizado (lavava sua louça e arrumava a cama todas as manhãs antes de sair para estudar, hehe). O que relembro aqui não é tudo, vivemos um bocado de coisas, e fico imensamente grato por ter passado esse tempo com ele durante o ano retrasado.

Mandamos daqui um amor maior que a distância de BH para Vitória para nossos amigos Keka, Jovem Juliano, Raul Chequer, Daniel Furlan, Cinthia, Chiquinho e os demais da patota.

E que a obra do Labanca seja honrada com a continuação do trabalho de vocês amigos, estamos aqui juntos, chorando, rindo, com saudade, sem acreditar que ele não está aqui, felizes por ele está para sempre aqui conosco. Hora de seguir em frente pelo nosso amigo. Contem com a gente.

Beijos demais para todos. Paz para nós e obrigado por esse tempo Labanquinha.